Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

CPI fará audiências com detetive e empresas antigrampo

Tempo real - 27/02/2008 18h26

CPI fará audiências com detetive e empresas antigrampo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas aprovou há pouco requerimento do deputado Marcelo Guimarães Filho (PMDB-BA) convocando o dono da Central Única de Detetives, Edilmar Lima, para prestar depoimento.

Também foi aprovado requerimento do deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) para convocação dos responsáveis legais das empresas ItecDifffusion.com (de equipamentos eletrônicos de vigilância), Ability BR Soluções em Segurança, Sip-Tecnologia (Telesatel), Bremer Serviços Empresariais e Directiva Tecnologia, para prestar informações sobre suas atividades à CPI. Todas são empresas ligadas ao setor de fornecimento de equipamentos antigrampo telefônico.

A CPI ainda deferiu requerimentos do presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), para expedição de ofícios dirigidos às operadoras de telefonia. O objetivo é obter informações sobre diversos assuntos. Também foi aprovado o requerimento do deputado Carlos Willian (PTC-MG) para convocação do procurador regional da República da 1ª Região Nicolao Dino de Castro e Costa Neto.

Os requerimentos foram aprovados depois do depoimento do gerente de Operações Especiais da Oi Fixo (antiga Telemar), Arthur Madureira de Pinho.

A CPI volta a se reunir amanhã, às 10 horas, no plenário 16, para ouvir o diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações (Cepesc), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Otávio Carlos Cunha da Silva.

A reunião foi encerrada há pouco.

Da Redação/RT - Agência Câmara

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Investigando filhos

Pais pagam para espionar filhos

Rodrigo Camarão

O telefone celular do detetive particular Humberto Pires toca, ele se ajeita no banco do carro estacionado perto de um condomínio do Leblon, enquanto a parceira prepara a filmadora. Do outro lado da linha, um desembargador avisa que seu filho de 18 anos acabou de sair. Na véspera, o magistrado tinha procurado a Central Única Federal dos Detetives com objetivo de contratar alguém para seguir o jovem. Cada vez mais, casos como esse têm se repetido nas classes médias e altas da Zona Sul e Barra da Tijuca. São pais desesperados que gastam até R$ 5 mil para saber, em 15 dias, se os filhos, de 15 a 23 anos, usam drogas ou envolvem-se em casos como o dos jovens que espancaram a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, semanda passada, na Barra.

Os pais autorizam a entrada do detetive no quarto do filho. Os objetos são vasculhados minuciosamente. Microcâmeras, estrategicamente posicionadas. No computador, os arapongas instalam o CD espião, programa que grava tudo o que é digitado em sites de relacionamento, como o Orkut, ou em programas de bate-papo, como o MSN.

O trabalho de campo não é desprezado. Eram 18h de uma sexta-feira, quatro meses atrás, quando o filho do desembargador explicou ao pai que veria amigos no Shopping Rio Sul, em Botafogo. O jovem encontrou-se lá com quatro adolescentes, mas entrou num Honda Civic e foi para a Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão. O motorista, um jovem de 20 anos, comprou maconha, voltou para o carro e os cinco seguiram para o Morro da Fé, na Vila da Penha. Duas horas depois, estavam no baile funk da Chatuba, na Penha. Já eram 2h de sábado quando o Honda Civic estacionou em frente ao condomínio de classe média alta do Leblon e o filho do desembargador saltou.

Logo atrás, Pires encostava o carro com três horas e meia de imagens do passo-a-passo dos adolescentes. Um dia depois, o aparelho de DVD do apartamento do Leblon exibia durante uma hora as cenas chocantes para um pai arrasado. O desembargador não resistiu.

- Ele colocou as mãos no rosto e chorou por alguns minutos - lembra o detetive, 25 anos. O pai prometeu tomar providências, mas até onde o investigador sabe, nada foi feito.

Pires é um detetive particular que se especializou nesse tipo de caso. Por mês, diz que 20 pais o procuram, interessados em contratar seus serviços de espionagem. Quinze fecham o serviço. O tipo de trabalho é batizado entre os arapongas de filhos com drogas, assim como há casos de infidelidade conjugal - ainda o grande filão - e espionagem industrial.

Rodrigo Pessoa, da Central Nacional de Assessoria em Investigação (Cnaispy), trabalha em monitoramento de filhos de clientes desde 1998. Reivindica a autoria da expressão que passou a refletir o ponto em que o comportamento dos jovens dentro de casa já é um verdadeiro mistério para os pais. Por mês, o detetive é contratado para seguir, em média, cinco filhos de empresários, médicos, juízes ou advogados.

- Tivemos o caso de um jovem que roubava dinheiro da carteira dos pais - conta Rodrigo. - Ele ainda torrou um carro e dois celulares por causa do vício em crack.

Bechara Jalkh Júnior é filho de uma lenda na investigação particular e fã de Sherlock Holmes. Aos 25 anos, tem oito de trabalho na empresa de assessoria e pesquisa do pai e coordena, desde fevereiro, o primeiro curso técnico de investigação do Brasil, na Universidade Estácio de Sá.

- Muitos têm receio de expor o filho. Acham que o detetive particular é aquele cara de bigode e cachimbo, escondido atrás do jornal. Quando o pai nos contrata, o filho já está, muitas vezes, no fundo do poço. Por isso, indicamos psicólogos.

Sócio da Central Única Federal dos Detetives, em Brasília, Edilmar Lima, 31 anos, acha que pagar de R$ 3 mil a R$ 5 mil por uma investigação que dura de uma semana a 15 dias é investimento. Em poucos anos, o número de casos de filhos com drogas da agência quintuplicou.

- Melhor gastar agora do que acordar de madrugada com uma ligação do delegado, dizendo que seu filho ateou fogo em um índio - exemplifica Lima, ao citar o caso do pataxó Galdino Jesus dos Santos, há 10 anos, em Brasília. - Muitos pais não percebem que os filhos não precisam só de bens e dinheiro. Precisam de mais atenção.

JB ON LINE
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Espionagem é parte integrante da política

GRAMPOS - Espionagem é parte integrante da política

Vasconcelo Quadros Brasília - JORNAL DO BRASIL

Criada para investigar a rede de espionagem que cresceu graças à fragilidade do sistema telefônico e à omissão do poder público, a CPI do Grampo, ainda sem um foco objetivo, patina na Câmara. Mas os deputados que participam das investigações têm razão pelo menos num ponto: o grampo e a espionagem praticamente fazem parte da política.

- Estimo que 40% dos políticos e empresários de Brasília estão no grampo e ou recorrem a detetives particulares - afirma o proprietário de uma das maiores empresas do gênero, Edilmar Lima, da Central Única dos Detetives, dona de um cadastro com cerca de 8 mil arapongas em todo o país e uma clientela média permanente de pelo menos 20 parlamentares do Congresso, entre deputados e senadores.

Ele nega que faça ou permita a espionagem ilegal, não revela o nome de clientes, mas diz que a preocupação de parlamentares que se consideram alvos de monitoramento não é mera paranóia. Lima lembra que a lei protege atividades de investigação na área privada, mas também admite, sem rodeios, que uma boa parte dos detetives particulares recorre, sim, ao grampo clandestino como meio de vida.

- É arriscado, mas muitos usam grampos. - diz. Quem os procura também já está agindo de má-fé. O problema é que, quando não há flagrante, o grampo não deixa vestígios.

Atuação

O último levantamento sobre a amplitude dessa rede dá conta de que que existem no país cerca de 120 mil detetives particulares, agregados a empresas de segurança privada ou atuando em faixa própria - a grande maioria na completa informalidade. Os órgãos policiais não exercem qualquer controle sobre a atividade, o que torna a espionagem uma rotina numa cidade como Brasília, onde a intriga - alimentada pela corrupção, disputa pelo poder e a tradicional promiscuidade entre atividade parlamentar e negócios - freqüentemente está associada à política.

- Quatro em cada dez pessoas que procuram um detetive querem o grampo - calcula o detetive. - Se não há controle oficial sobre sobre a escuta autorizada pela Justiça, imagine então como é na área privada.

Embora Lima negue que seu escritório opere na clandestinidade, no ano passado, ele virou personagem da onda de denúncias publicadas pela revista Veja contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Chegou a ser apontado como o detetive contratado por Renan para espionar um adversário, o senador tucano Marconi Perillo. Uma investigação do Senado concluiu que ele nada tinha a ver com o assunto e que nem o ex-presidente do Congresso - absolvido pouco depois - havia encomendado a espionagem.

[ 25/02/2008 ] 02:01

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

ESCUTAS TELEFÔNICAS

Polícia investiga grampos ilegais de detetives
Autor: Allan de Abreu e Júlio Cezar Garcia

Por determinação do Ministério Público Estadual (MPE), a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar cinco agências de detetives em Rio Preto, suspeitas de praticar interceptações telefônicas e ambientais ilegais em serviços particulares.

A apuração no inquérito 069/2007, aberto em 6 de julho, ficará a cargo da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). "Se não combatermos essa prática com rigor, vamos assistir a uma anarquia sem limites na invasão de privacidade de qualquer cidadão", justificou ontem o promotor Antonio Ganacin Filho, que requereu a investigação. "O pior é que essas coisas acontecem a pedido de alguém. Por trás desses delitos, tem sempre aquele que paga para o sujeito grampear a mulher, o marido, os amantes, os sócios. Todos eles têm alguma culpa", disse o promotor.

Ganacin tomou conhecimento dos suspostos abusos por meio de reportagem do Diário. Em junho, o jornal revelou com exclusividade que detetives particulares da cidade estão usando a escuta telefônica, a escuta ambiental e o rastreamento telefônico como ferramentas comuns nas investigações de traição conjugal e espionagem empresarial e política. A reportagem apurou que os "investigadores particulares" cobravam de R$ 150 a R$ 450 por dia, dependendo da complexidade do caso. Já o preço do pacote completo de investigação chegava a R$ 3 mil. À época, a reportagem falou com 12 detetives. Desse total, cinco se dispuseram a fazer os grampos ilegais. O delegado-assistente da DIG, José Augusto Fernandes, nomeado para a investigação, disse que o suposto crime é grave. "Não pode ficar impune."

O delegado não quis detalhar quais serão os procedimentos do inquérito com o argumento de que poderiam atrapalhar as investigações. Ele ressaltou apenas que as diligências já estão em andamento e que, na etapa final, os cinco detetives citados na matéria serão convocados a depor. Os jornalistas responsáveis pela publicação foram intimados a prestar esclarecimentos na próxima semana. Para apurar a informação, a reportagem se passou por interessada nos serviços de investigação particular. As quatro agências que ofereceram grampos ilegais são Detetive Serra, AG Investigações, Detetive Freitas e JP. A detetive Virgínia, "especializada em casos conjugais", negou fazer grampos em telefone, mas se dispôs a instalar um aparelho no interior do veículo da pessoa investigada que grava conversas da vítima. Para conseguir instalar as escutas, os detetives disseram subir em postes telefônicos, se infiltrar na residência da vítima ou até mesmo clonar aparelhos celulares. "Temos de contratar uma pessoa para ficar virando as fitas (no poste), entendeu? Porque grava tudo", disse a detetive Mila, da AG Investigações.

Detetives negam crime
O diretor da Central Única Federal dos Detetives do Brasil, Edilmar Lima, admitiu à época que alguns detetives agem na clandestinidade. "Infelizmente crimes na profissão são cada vez mais comuns, e o grampo é o principal deles", disse. Procurados pelo Diário, os detetives negaram ter oferecido grampos telefônicos e escutas ambientes aos repórteres que se passaram por clientes. "Só faço grampo com autorização judicial ou se o telefone estiver no nome do próprio cliente." Questionado se não é somente a polícia e o Ministério Público que têm legitimidade para solicitar grampos à Justiça, Freitas disse que "às vezes o delegado pede, a polícia tá sem equipamento, e eu faço". Com relação à interceptação oferecida quando a reportagem se passava por cliente, o detetive disse ser apenas um gesto de educação. "Depois, pessoalmente, digo que não (faço grampo)."

João, da agência JP, também negou. "Fui procurado há duas semanas por uma pessoa que queria que grampeasse um funcionário de empresa. Disse que não fazia isso. Ele insistiu, e respondi que poderíamos conversar pessoalmente para ver o que poderia ser feito. Não faço grampo em hipótese alguma. Grampo é crime, conheço a lei." Virgínia, que disse à reportagem oferecer escuta dentro do carro do investigado, afirmou que nunca ofereceu esse serviço. "O que eu faço é anti-grampo (aparelho que detecta interceptações telefônicas)", disse. Ao ser informada que ofereceu o serviço a um repórter disfarçado de cliente, a detetive desmentiu a oferta. "Não faço escuta ambiental. Isso é fora da lei."

Um homem, que se apresentou como Marcelo e cunhado de Virgínia, procurou a reportagem para dizer que a detetive só fornece o gravador digital ao cliente. "Isso você pode comprar em qualquer loja. Ela não faz escuta ambiental porque nem tem conhecimento técnico." O detetive Serra também negou fazer grampo. "O que eu faço é escuta, aquela que qualquer pessoa pode fazer em casa para monitorar o próprio telefone." Ouvido novamente ontem, Serra disse que foi mal-interpretado na primeira reportagem. "O grampo (interceptação telefônica) eu não faço de jeito nenhum, No caso de traição conjugal, eu oriento o cliente a instalar o gravador no próprio telefone. Oriento ele a ouvir a conversa. Eu não monitoro conversa privada de ninguém."

Serra ressaltou que seu trabalho se restringe ao acompanhamento pessoal e fotográfico. "Tem muita gente que nos procura porque não sabe que para ouvir a conversa de uma pessoa dentro da própria residência basta instalar um gravador. Eu apenas dou essa orientação." O delegado José Augusto Fernandes não tem previsão de quando convocará os detetives particulares a prestarem depoimento sobre suas atividades.

Diário da Região - São José do Rio Preto

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Furto na Petrobras traz à tona espionagem industrial

Furto na Petrobras traz à tona espionagem industrial

Heberth Xavier

Não olhe agora, mas o seu colega de trabalho ao lado é um espião. Essa frase, é claro, traz um exagero gigantesco. Mas funciona como uma caricatura de uma contradição real do capitalismo mundial, de volta às paginas dos jornais brasileiros, depois do roubo de dados sigilosos sobre pesquisas da Petrobras em um contêiner contratado pela própria empresa.

“A espionagem industrial é praticada há muitos anos, mas tem crescido a passos largos graças à tecnologia mais barata e ao aumento da competição entre as empresas”, resume Avi Dvir, diretor e dono da Ormax, uma empresa especializada em contra-espionagem localizada em São Paulo.

Quem espera grandes números para comprovar essa afirmação, porém, vai ficar esperando. É impossível. Dificilmente há assunto tão evitado pelas empresas quanto a espionagem industrial. Quem a pratica, por razões óbvias, só fala se for descoberto – ainda assim, só se a Justiça mandar. Quem é vítima, tem medo de ser encarado como vulnerável. De qualquer modo, a consultoria PricewaterhouseCoopers arriscou-se e, depois de ouvir 3,4 mil empresas em todo o mundo, divulgou que um quarto delas já foi vítima de algum tipo de espionagem praticada por concorrentes. O mesmo trabalho estima em mais de US$ 25 bilhões as perdas com roubos de propriedade intelectual apenas nos Estados Unidos.

Os números, certamente, não são tão altos no Brasil, mas, se fossem medidos, impressionariam. Como nos outros países, a tecnologia tornou mais baratos os aparelhos para grampear telefones ou filmar anonimamente reuniões de executivos. Outro aspecto que parece ser unanimidade é que a espionagem, quase sempre, vem da própria casa, praticada por um funcionário contratado.

Dvir, da Ormax, aposta nessa hipótese, ao falar do roubo na Petrobras. Com a autoridade de ser considerado um dos maiores especialistas brasileiros no assunto e autor do livro Espionagem Industrial (editora Novatec), ele não teme afirmar categoricamente: “Com pouca chance de erro, tudo indica que, se a investigação prosseguir e obter sucesso, chegará a alguém de dentro da Petrobras ou da Halliburn (a companhia americana responsável pelo transporte do contêiner do furto)”.

Outro especialista em contra-espionagem, Edilmar Lima, concorda. Para ele, que é diretor da Central Única Federal dos Detetives do Brasil, mais da metade das ações de espionagem são feitas com a ajuda de um empregado contratado pela empresa vítima. “É provável que a Petrobras repetiu dois erros comuns nesses episódios: falha na admissão de pessoal e ausência de medidas preventivas”, diz Lima. Ele e Dvir também acham que a Petrobras, ainda que vítima, não pode ser isenta de culpa. “Se eu fosse diretor da Petrobras, mandaria gente embora. Medidas de segurança claramente não foram tomadas, como encriptar os dados nos computadores”, diz o diretor da Ormax. “Hoje, uma criptografia básica, de 256 bits, exigiria recursos enormes para decifrar, não é algo simples. E isso, tudo indica, não foi feito.”

• LICITAÇÕES SUSPENSAS ATÉ FIM DAS APURAÇÕES

A Polícia Federal (PF) informou ontem que a investigação correrá sob total sigilo. Também investiga o caso a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A PF trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial. O contêiner do qual as informações foram furtadas estava em um navio que partiu do Porto de Santos (SP) em 18 de janeiro em direção a Macaé, situado no Norte fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado havia sido violado.

O caso já levou o governo a decidir não promover nenhuma licitação para exploração das reservas de petróleo dos campos de Tupi e Júpiter até o esclarecimento do furto dos computadores. As licitações já estavam suspensas desde que a Petrobras divulgou suas descobertas de um megacampo de petróleo na camada pré-sal naquela região. Vão continuar na gaveta até a conclusão das investigações. O temor é de que os dados dos computadores, que podem conter informações sigilosas sobre localização e extensão dos poços de Tupi e Júpiter, caiam nas mãos de empresas interessadas em explorá-los. Isso poderia conferir vantagem para essas empresas no processo de licitação.

A própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que há indícios de que o furto de dados pode estar relacionado a um caso de espionagem industrial. No entanto, ela não citou o motivo dessa suspeita do governo. Dilma qualificou o roubo como “lamentável, mas não catastrófico”.

A espionagem industrial é crime, mas são poucos os casos em que alguém termina na cadeia ou paga pesadas multas. “Mais do que constatar a espionagem, o complicado é prová-la e buscar os cabeças da operação”, diz o advogado Luiz Flávio D’Urso, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas. Roubo de informações é comum e crescente no mundo e no Brasil. Para especialistas, caso na estatal brasileira deve ter contado com participação de funcionários da própria empresa.

FONTE: Estado de Minas
Publicado em: 16/02/2008

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

CHRONICLES OF A DETECTIVE

CHRONICLES OF A DETECTIVE

EDILMAR FILES

Chronicles of a Detective is a book that approaches one of the themes that more attracts the people, the betrayal. Through real cases, Edilmar Lima approaches several aspects of the uncontrollable " desire " of linking with other people. It is a book for who already betrayed, for who thinks is being betrayed and for who thinks in betraying. He makes to think us to what extent the infidelity does be worthwhile. Will it be that the betrayal is a worthy attitude in some case? What does make to betray him? Subsistence? Will it be that are entitled of playing with the life of whom in the vow love? Who is betrayed suffers a lot; it can be with a scar in the soul forever.

The traitor has a lot of responsibility, because omitting a parallel loving life, it can be removing your partner's opportunity it to be happy with other person that gives him/her value. Remember that today several ways exist of knowing if we are being betrayed. She to betray it is your life objective, make right, and try not to leave traces, vestiges, because a detective can be behind you.

This is a true banquet for who likes chronicles about the temptations of the life... This book, based on real cases, shows the human being difficulty well in working with the " provocations " of the day by day. A woman a lot of wonderful, charming and sensual times it is something irresistible for many men, even for those that have a beautiful family, very educated children, a kind wife and, a lot of times, beautiful also...

The temptation is so big that so much the man as the woman places everything in risk, they play everything upward for minutes of pleasure... minutes of pleasure and later hours and days of torment, of blame feeling, after the facts that come to the surface. This is a book that stimulates a reflection on the values of the life, the weight of certain impulsive acts and your consequences. Certainly an excellent entertainment...

The author approaches in this book several aspects of the investigation. It is a work that arrests us, it magnetizes us, and therefore we always want to know the issues of your cases. Does that happen mainly because the book approaches the daily of most of the people... Who never had fear of to be being betrayed? Who did of detective never play already moving in your lover's things to discover infidelity vestiges? Who did never betray he/she/you? Who never had " weaknesses "? Certainly a book that will entertain him/her is, better still, will it help the dear reader to contemplate on the values of the life...


CHAPTER I
A dream becomes reality

Many years ago, when I entered neither officially neither in my professional career, nor from a distance it imagined what the future reserved me. However, I was a sure: I didn't want to be just one more detective and yes, the detective. Then I thought to myself: when we believed in our potential and we worked for that it is evident that get to achieve success in our day; and, it was of that it sorts things out that happened with me thanks to God.

Returning a more little in the time, I remind that in meeting with friends and relatives, in the search of moral support to decide really that would be my career, I heard countless discouraged phrases, just as: " My son, will seek an employment, that doesn't give future for anybody ".

Those observations, actually, served so that I deepened me in my interests and they still motivated me more to look for my objective, especially because them nor they imagined that this was already my plan from boy, when still small, there in the interior where little one heard to speak in detective.
I remember of when I was still small, he/she attended films and it already imagined the end, and in my head I already foresaw who could have made the crime or the fact that there was still entangled. It is I went like this growing, testing my deduction limits. The press, in a general way, was me important inspiration source, contributing in a certain way to my detective learning. He/she/you always accompanied the cases that were announced and, many of them, before even of they arrive at the end, I already deduced who could have made that fact that there was announced.
I grew up in a small city of the interior of Goiás. We didn't have many resources as they are had in the current days. Internet was thing of the XXI century, television to cable nor we dreamed it, we just had as source of information the radio, the TV and the " midwives ", that were seated in front of the house where they lived. There the complete news section was had of what it happened in the neighborhood. All the gossips were known, except the ones that they were announced by the press, because for them that it mattered they were the gossips of there same, in other words, the one of the neighbors.
For treating of a neighborhood where all knew each other, it was very easy to get information on anybody that they’re lived. The “midwives” announced any thing that happened. Then, I didn't need to walk a lot to be in the largest source of information than I could have.
When still with little more than 10 years, it arrived from the school and he/she already got ready to be in front of the house hearing the gossips. It was always like this: me of " linked antenna " to capture the rumors. I caught my old and good pushcart and I will play under a pequi tree that gave a great shade. There I set up my net of information where could hear and to pick all the gossips. For them, the adults, I was just a child playing of pushcart and nor they imagined that I was a small " spy " in search of information.
I remember very well of the expression that they did when they were publishing a gossip that was still innovation. There, they made the accusations, they investigated, they sentenced; there it was the midwives' tribunal ". And, me as a good " detective " was always for close, observing.
It was habit: everyday at 17:00 o'clock they began to arrange the " tribunal ", they took chairs, crochets and the list of those judged of the day. When they didn't get to give an issue for the case, they always marked a new " audience " for the following day. Usually who did the judge's " paper it was the most intelligent of them, the one that fewer talked, and it was impartial. Few times it emitted some opinion, it was more in the listener position.
She arrived after all already there were, and she installed asking on some fact that had happened in the neighborhood as, for instance: what did with Mr. Antonio " happen? Is it there they began the accusations. After few minutes they already had convict Mr. Antonio's poor, and the poor fellow at least to imagine that there was being did not judge by a fact that perhaps nor it had made. And the worst was than when they found somebody that they had already condemned; they made the good neighbors' paper.
The fact is that that, in a certain way, moved with me. One day, I began to do detective's paper independently. I began to investigate the gossips and, in little time, the judgment sessions began being reduced until that practically ended. It is like this, of this it sorts things out, the detective that there am in me was born.
To the 12 years, coming back from vacations with my family, I came across my first great case.
My house had been invaded. An enormous hole in the wall revealed the invasion. At that time me nor it imagined that we could call the police for a case as this, then nothing did, however, we only covered the hole in the wall and ready. The days were passing if and me without sleeping, concerned in to discover who could have made that, because I already felt in the duty of solving that subject. I, with only 12 years, wanted to support the detective and to discover.
Recollecting as I had found the place of the crime, I got many details that helped me in the investigation. A detail that called me the attention was the fact of we live there, there is a long time and we maintain a good relationship with the whole neighborhood, and up to where me I knew, we didn't have enemy. I find strange, but the form how the theft was made, it took me to have faith that was treated of revenge. Since then, I began to imagine who would be the criminal.
From small I had the sharpened intuition, he/she already had a suspect, but as there was not anything that tied I with the crime I discarded it; I just had the knowledge that he was a person of bad nature, besides already it had made some thefts for the surrounding. That everything I had discovered in my investigations when he/she played of pushcart under the old pequi tree.
After some two weeks, I had already made my first list of reasons so that I could suspect, I made me a lot of inquiries until that I reached the conclusion that was wrong for suspecting certain person. I remind that nor the best friends were free from my suspicions, all were suspicious.
One of the principal details that took me to the elucidation of that case was my persistence. Even after almost two months I was still the sure that would discover. There I could notice that in practice the thing it is much more complicated, but even so, without practice, I obtained success in my investigation, I got to discover who had broken into the house where I lived until my 16 years.
Good, who had practiced the theft, it was, anything but anything else less than, a friend that frequented my house almost everyday. Then he admitted me the reason that had taken him to practice such crime: just for envy, once he didn't have television, he thought I should not also have her. For him to know that it could not take it to your house, he had the precaution of selling it for the half of the price to buy another television. I never got to recover her.
For a good detective, to discover the criminal is not enough in certain cases, we always looked for the repair of the damage or the devolution of the white object of the investigation, but in my case I didn't still know for sure that it was an investigation, I just knew that liked to challenge me same and to go thoroughly in some subject that didn't have any meaning for other children of my age.
After having concluded my first mission I already felt a true detective, but nevertheless frustrated by not having recovered the white object of my small investigation. It is I went like this growing, acquiring a taste for the investigation and unmasking causes.
When I completed 16 years, I moved to Brasilia, leaving the dozens of cases that it had investigated back, that served me of base and incentive for my growth and professional perfection. Perhaps if it doesn't root my perspicacity, dedication and persistence, I would never have turned me a detective.
My family, which soon at the beginning didn’t bet in my success, today they are proud of me. I proved for them that who wants to expire has to struggle, to give up never. I always knew that the family is the base of everything, I judge important that our acts are always leaning for that, better like this, but it was not what happened with me.
I had courage of facing the alone world and I got, thanks to God. I admit that the luck, in a certain way, smiled at me. From that then, I have as life slogan the following: never to have fear of facing the surprises of the life, until why, we can learn with them.
It is like this, I learned that the mystery is inside of us same, and we have to unmask it. Try and try, it is not easy to break this imaginary barrier that we created our front. I can say that the fear transformed me in a winner. I was afraid, the fear it was terrible, I thought it would never get to be somebody, but, one day when I consulted the old and good friend pillow he spoke to me: you will be somebody and, not just one more CPF in the crowd. And to do to be worth this promise, I looked for with longing my objectives. I have to agree that was not easy and that one of the secrets of that victory was my courage of struggling allied my will of expiring.
Certain time, when asked if it was accomplished me professionally, I answered that yes, but I know that a professional has to be always in search of the professional growth and, for that, this should always be in search of accompanying the humanity's evolution. And, thinking about that premise, it is what is always doing. This perhaps, it is my differential. Then that we are always the one among the others, and we will increase like this looking for the best not only for us, but also for the society as a completely.
Some years later, already acting professionally, I began to catch cases and more cases. Me, however, I didn't have support of anybody of the family and nor either of another detective and, even so, it was every day in search not only of the professional growth; I also wanted to prove my family that they were wrong in relation to me, and that I was capable. It is important to remind that, for us to grow in the life we should abdicate of many good things, things these that can be substituted by the pleasure of that that we do.
I remember the nights in that passed awake working. It arrived Friday, all leaving for the ballads and I working. I went very criticized by working so much like this. Some friends told me that I had to enjoy the life. Some laughed when I spoke to them that my amusement was my work. It is obviate that we should never become slave of what we do, but, though, to make an effort an inside little of our limits won't make badly some to anybody.