O Disse-não-disse sobre a história que saiu na VEJA.
O boi de piranha do Tempo Novo
O caso do disse-me-disse que mais parece um “disse-não-disse” envolvendo o senador Marconi Perillo e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, tendo como principal fio condutor e, agora, culpado, Fernando Cunha Júnior, revelou ao Brasil traços da intimidade do poder em Goiás. Mais do que isso, para nós, apontou para o nervo aberto das disputas políticas, quase sempre circundadas de mentiras e traições, envolvendo o grupo que antes se chamava Tempo Novo, mas que agora não pode ter mais nome já que se mostra acéfalo de líderes e representantes. O Tempo Novo se perde nas nuvens da calúnia, das traições de antigos companheiros, que vão à fogueira para livrar seus comandantes.
A reportagem da revista Veja mostrando um Marconi Perillo superestimado por ele mesmo, que teria a Polícia do Senado no seu encalço, revela bem mais do que está no relato de suas páginas. Perillo aponta que ouviu dizer algo de alguém e que repassou para outras pessoas o que ouvira, numa trama tão primitiva quanto perigosa, pois envolve nomes como o do governador deste Estado. Mais do que isso: parece querer criar uma atmosfera de álibi antecipado. A partir de agora, o que vier a ganhar as manchetes envolvendo o nome do senador tucano é fruto de perseguição. Como se Marconi Perillo fosse no Senado Federal algo além do bem e do mal, bem como o é na política de Goiás. Pura distorção.
O que, no entanto, os articuladores desta manobra não esperavam é que o assunto se tornasse tão desconexo e deslavado. E começou a ficar assim a partir do instante que a outra ponta da história, representada por Alcides Rodrigues, negou a veracidade do assunto, deixando todos na lama da mentira e da invencionice.
Sobrou para um nome que já foi tido como o criador do Tempo Novo, este novo grupo político que derrotou Iris Resende e o PMDB goiano, até então imbatível. De herói estrategista a principal artífice de uma mentira, no meio de um fogo cruzado de um “disse-me-disse” infantil entre um senador e um governador, Fernando Cunha é, hoje, a grande vítima de uma armação que, ao que tudo indica, está longe de se acomodar. Cunha é o boi de piranha perfeito para os tropeiros das meias verdades, que são Alcides Rodrigues e Marconi Perillo.
Além de toda a articulação malfeita, que deixou pontas em aberto e algumas vítimas, há ainda outra corrente de pensamento que ganhou vida nos corredores do Senado: Quem é Marconi Perillo dentro daquela casa?
Sim, porque se no Estado de Goiás ele é tido como um político de sumo destaque, quando posto ao lado de nomes consagrados cuja história política se confunde com a história recente do Brasil, Perillo não passa de um tímido coadjuvante. Entre os senadores mais experientes era recorrente na semana de circulação da revista que o trouxe como vítima de um plano diabólico a chacota da armação: ninguém acreditava plenamente no uso de tal aparato de segurança e inteligência para pegar... quem? Marconi Perillo? Até mesmo entre os deputados goianos essa informação soou de forma estapafúrdia.
O que fica no final do primeiro ato deste episódio é que mais do que a total desconexão de sintonias entre os antes aliados e irmãos de fé Alcides e Marconi, é a capacidade que ambos tiveram de, solene e tranqüilamente, entregar o fiel escudeiro de ambos, Fernando Cunha, para os leões. Hoje, no resumo desta opereta suspeita, Fernando Cunha é tipicamente o mentiroso, o traidor e o fuxiqueiro que criou sem quê nem porquê uma história histriônica como esta. Mais do que nunca ele é o mordomo, o que sempre leva a culpa.
A Marconi Perillo, fica a lição de que cada um tem o vice que merece. A mim, resta pensar que cada um tem o “Pedro Sahium” que merece. Coisas da política.
E enquanto isto tudo acontece e as tendas do circo se incendeiam, Alcides Rodrigues desempenha o seu melhor papel, aquele que ele mais se sente à vontade em realizar: fica lá, só olhando, quieto, sem se mexer. Fica praticando a máxima mineira que diz: “Deixa do jeitinho que está pra ver o que acontece.”
Ernani de Paula
presidente do PRB e ex-prefeito de Anápolis
Fonte: Diário da Manhã - Goiânia - GO.

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